Aquela cigana

06Set11

Os carros estremeciam a cidade.
Numa tempestuosa nuvem com cheiro podre,
Os canos das fábricas exaltavam uma mocidade,
Perdida por esse fumo. Perdida no seu rumo.
Mas aquela ciganita,
Escondida e sorridente,
Lança uma perdição ardente;
Parece estar tão dentro de tudo,
Todavia está tão fora!
Que inveja tenho desta ciganita,
De não ser alguém que não se preocupa,
De não ser alguém que não se ocupa.



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